2. Projeto de Reforma do Lugar Litúrgico

Alberto Matos, PhD

O culto é o encontro de Deus com o Seu Povo; este encontro acontece no Lugar Litúrgico.

Entretanto, o que é Lugar Litúrgico? É o lugar onde Deus Se encontra com o Seu Povo.

Deus sempre encontrou-se com pessoas em vários lugares. Esses lugares foram separados com um propósito especifíco, o da renovação da relação entre criatura e Criador. Isto dá-se através do encontro entre criatura e Criador num lugar. Este lugar não se torna sagrado e único, mas torna-se em Lugar Litúrgico, ou seja lugar em que Deus se encontra com os Seus. A sua relevância consiste no fato de ser portador de um significado (White:P.66).

A Bíblia descreve vários lugares de relevância, entre eles encontramos o Jardim do Éden (Adão – Gn.3.8), uma montanha (Abraão – Gn.12.8), um lugar indefinido algum momento na caminhada para Berseba (Isaque – Gn.2623,24).

A relevância do Lugar Litúrgico solidifica-se ao longo do tempo através de um crescimento estrutural de sua dimensão, pela maneira de Deus tratar este assunto. Primeiro, Ele ordena a Moisés para construir um Tabernáculo (Lugar móvel). Em segundo lugar, Salomão é separado para um propósito especifíco, o de construir um Templo (fixo). Em terceiro momento, surge Cristo como Tabernáculo de Deus entre os homens. Numa quarta etapa, encontramos a Igreja – Corpo de Cristo e, na quinta etapa (pelo menos é que temos revelado na Bíblia), Deus será o Templo Eterno de Seu Povo (Ap.21.22).

Este desejo, irrevogavelmente comprovado através da história, de Deus querer habitar no meio de Seu povo, conduz a Igreja a considerar seriamente, neste presente tempo, o Lugar Litúrgico utilizado por ela em seus encontros com Ele. Atentando também para o fato, de que é neste lugar que Ele tabernacula nela e através dela.

Nos dias atuais , o Corpo de Cristo tem utilizado-se de prédios, aos quais são denominados de templos, igrejas, santuários, etc.

Estes lugares utilizados pelo Corpo de Cristo, enquanto espaços e centros físicos, podem “não somente refletir as maneiras em que os cristãos prestam culto, mas também dá a forma do culto e não poucas vezes lhe dá forma inadequada (White:P.67).

No livro “Arquitetura e Liturgia”, a arquiteta Regina Céli de Albuquerquer Machado diz que a arquitetura pode estar a serviço da Liturgia criando um Lugar Litúrgico adequado para a comunidade celebrar; este lugar será sinal da nova vida que a Igreja tem em Cristo Jesus.

Este lugar deve falar ao mundo através de seus espaços e centros quem é o Deus deste povo, o que Ele fez e faz pelo mesmo e o que Ele pode fazer para com aqueles que ainda não se relacionam com Ele.

Considerando as perdas teológica-litúrgicas, antropológicas e arquitetônicas que se aglomeram na caminhada da Igreja à luz dos fatos supracitados, empreendemos este Projeto de Reforma da Igreja Evangélica Congregacional no Guará, situada em Brasília-DF, enquanto Lugar Litúrgico.

O Lugar Litúrgico na Perspectiva Teológica-Litúrgica

O Lugar Litúrgico é o local onde Deus Se faz Presente no meio de uma comunidade reunida em Seu Nome.

Neste local Ele habita no Corpo de Cristo, corpo que cresce para templo santo no Senhor – no qual todos os integrantes são edificados para morada de Deus em Espírito (Ef.2.21,22).

Nesta reunião em Seu Nome, é que a percepção da comunidade se aguça para a autodoação divina. A cada encontro que Deus tem com a comunidade, ela torna-se mais cônscia desta autodoação.

Esta autodoação divina torna-se cada vez mais visível na ação de Deus na comunidade. É O Deus que serve a todos, independemente, de serem bons ou maus (Mt.5.45). Ele se dá às pessoas. É O Deus que não é impulsionado por ninguém, mas de Si mesmo Ele se dá (Jo.10.17,18).

Através desta autodoação Ele gera vida e, vida em abundância, no seio da comunidade. A comunidade participa da vida e, celebra a vida. Isto é possível, porque a comunidade contempla aos atos do Deus Bom e Abençoador. Ela contempla e age, experimentando e transmitindo o derramar da graça divina.

A comunidade participa da vida abundante a cada encontro com Deus no Lugar Litúrgico. É neste lugar que Deus permite, convoca e se encontra com o Seu povo (Sl.50.5; Hb.10.25).

Este Deus que Se encontra com a comunidade, pondo-Se no meio dela, encerra através desta postura, o ensinamento de proximidade, igualdade e mutualidade. Ele é próximo, é Deus de perto (Fp. 4.5). Ele é O Deus de cada um (Deus de Abraão, Isaque e Jacó – Ex.3.6), mas é O Deus de todos…é O Deus de toda a comunidade. É o mesmo Deus para todos e, isto, torna todos iguais. Estes que são todos iguais são servidos por Deus e devem servir a Ele – isto chama-se mutualidade. Esta mutualidade deve ser posta em ação dentro da própria comunidade.

A Dimensão Antropológica no Lugar Litúrgico

Conforme White, uma descrição funcional do culto é falar, agir e tocar publicamente em nome de Cristo.

Há uma dimensão antropológica inegável no culto , muito ampla e profunda. Enquanto “tudo que acontece no Culto depende de Deus, porém ocorre por meio dos instrumentos da fala humana e do corpo humano” (White:P.68).

Esta dimensão antropológica, conforme Jaci Maraschin, em A beleza da santidade:ensaios de liturgia, P.75, lembra-nos que o Lugar Litúrgico “destina-se à função litúrgica que é, poe natureza , função humana”.

São as pessoas que dão vazão à espiritualidade através de corpos que falam, agem e tocam em nome de Deus. Elas usam o próprio corpo para cantar, orar, abraçar, sentar, etc., ou seja, não há outro meio para fazer isto.

Nesta relação antropológica a comunidade vive a igualdade, independentemente de cor, raça, sexo, idade, situação social e exerce a mutualidade. Em seu seio, os cristãos oram, exortam, edificam,levam as cargas, confessam as suas culpas e ajudam uns aos outros.

Esta relação antropológica da comunidade no Lugar Litúrgico, através da mutualidade, como um dos sinais visíveis do Reino de Deus, legitima e autentica a afirmativa de que Deus está no meio dela.

Com a presença de Deus legitimada em seu meio, a comunidade torna-se autorizada diante de um mundo sem Cristo a falar, agir e tocar em nome de Cristo de uma forma diferente das que as religiões costumam fazer – ela faz com autoridade divina, isto é, com unção. E é a unção que despedaça o jugo (Is.10.27) e proporciona eficácia na evangelização dos pobres, na cura dos quebrantados de coração, na libertação dos cativos e oprimidos , na cura dos cegos e no anunciar do ano aceitável do Senhor (Lc.418,19).

Esta ação autorizada da comunidade num mundo carente e necessitado, atrai às pessoas para ter esperança de justiça e de uma sociedade melhor num sistema cruel e esmagador, quando deveria estar a serviço do bem comum.

As pessoas castigadas e esmagadas por tamanha atrocidade no sistema em que vivem, podem encontrar na comunidade um lugar de paz, justiça e solidariedade.

Nesta comunidade haverá o desenvolvimento de laços de comunhão, comunhão que gera fraternidade. Fraternidade que molda as relações, criando um ambiente equilibrado, no qual os mais fortes se enfraquecem ao darem a sua força para que os mais fracos sejam fortalecidos, de forma que todos usufruam de igualdade.

Enquanto, os fortes se enfraquecem dando a sua força aos fracos, eles estão se fortalecendo, mas isto só é possível porque os mais fracos existem neste corpo. Na verdade, os fracos são fortes porque conseguem fazer com que até os mais fortes sejam fortalecidos. De sorte, que neste corpo, ninguém deve nada a ninguém, a não ser o amor (Rm.13.8).

O amor é o lastro de todas as atividades da comunidade no Lugar Litúrgico. Por isto, o Divino Mestre afirmou que toda a lei e os profetas dependem dos dois mandamentos de se amar a Deus e ao próximo (Mt.22.34-40).

Nas atividades da comunidade que têm como lastro o amor, os cristãos podem encontrar abrigo. Abrigo para as jornadas das incertezas da vida, num momento caótico em que mergulha o mundo, no qual não se tem certeza de nada, a não a certeza das incertezas de todas as coisas.

Em meio a este clima de incertezas, na comunidade, os cristãos podem sonhar…os seus próprios sonhos…os sonhos de todos…e também os sonhos de Deus! Eles podem abrir a alma e numa terapia comunitária, o próprio Deus remove as frustações, cura as feridas e sara aos quebrantados de coração.

O Deus que sara a alma das pessoas, sara também os corpos – mesmo quando a ciência médica diz que já não há mais jeito.

Neste agir divino, socorrendo o aflito e desesperançado, este Deus diz às pessoas que elas podem ter expectativa de um futuro bom. De que a fé delas não será malograda. Elas sabem que não cultuam a um homem ou filho do homem que mente ou se arrepende, mas a um Deus que as ama. Assim, elas são fortalecidas e saem a fortalecer umas as outras.

Como pessoas fortalecidas elas geram em seu próprio meio a certeza de que neste Lugar Litúrgico, elas podem achegar-se ainda quando se sentirem fracas, pois no meio delas está Aquele que suscita força na fraqueza humana.

Desta forma não há necessidade de alguma delas se sentir constrangida, por causa de suas próprias fraquezas, pois toda fazem parte da família de Deus.

Como filhos do mesmo Pai, todos são irmãos. Nesta fraternidade vivenciada por irmãos, pode-se ter um lugar que dá os bem-vindos ao cansado, porque aqui também é lugar de refrigério.

Este refrigério não é algo apenas para a alma do cristão, mas é refrigério também para o seu corpo, quando temos pão para o faminto e água para o sedento.

Abastecidos em todos os sentidos, o cristão compreende, sem dúvida alguma, de que no Lugar Litúrgico ele encontra a unidade de um povo na diversidade dos interesses egocêntricos da humanidade, beleza divina diante da feiura do mundo causada pelo pecado, cores vivas e belas diante de um cenário humano desfigurado e pálido, alegria e música numa vida sem nenhuma melodia agradável e as águas salvadoras do batismo perante um mundo que em sua própria condenação polui as águas.

A Relação do Lugar Litúrgico e a Arquitetura

“Uma comunidade, na maioria das vezes, ergue um templo dentro de suas possibilidades técnicas e financeiras” (Regina Céli de A. Machado, O local de celebração: arquitetura e liturgia. São Paulo:Paulinas, 2001. P.27). Quando assim acontece, a comunidade descaracteriza muitas vezes o Lugar Litúrgico naquilo que ele deveria ser e representar , bem como a si própria .

Segundo Machado (p.14), “a igreja é a imagem da comunidade que ela abriga. A construção reflete um jeito de ser Igreja em determinado tempo e lugar”. Ou seja, a comunidade não pode construir algo aleatoriamente por causa de circunstâncias locais e temporais. Antes, deverá empreender uma compreensão de quem seja, o que almeja, por que e para que deseja tal construção. Não se pode ter sucesso num empreendimento, no qual não se observa os parâmetros necessários.

A arquitetura observa os parâmetros necessários e contribui, significadamente, para organizar o Lugar Litúrgico, porque coloca-se neste momento a serviço da Teologia Litúrgica. Então ela disponibiliza a distribuição dos espaços e centros litúrgicos à luz da ciência teológica-litúrgica.

Com a correta distribuição dos espaços e centros litúrgicos, a arquitetura do prédio definirá o significado do culto para aquela comunidade, o cenário e o abrigo necessário em que a comunidade realizará o seu culto e apresentará para estas pessoas , oportunidades e limites, abrindo algumas possibilidades e fechando outras” (White:P.67).

White ( P.67) afirma que ” sem prédio a comunidade poderia prestar culto apenas com dificuldades, muitas vezes a comunidade cultua com dificuldades por causa deles” e que “toda a história da construção de igrejas é a história dos ajustes entre as melhores disposições para falar em nome de Deus e para tocar em nome de Deus”. No que a comunidade percebe que a relação entre a arquitetura e a liturgia é intrínseca e como o Lugar Litúrgico utiliza-se de uma linguagem não-verbal tão profunda no culto, ela dá-se conta acerca da relevância com a qual deve tratar esse assunto.

Espaços e Centros Litúrgicos

A relevância desse assunto implica numa compreensão teológica-litúrgica de que Deus Se encontra com o Seu povo neste Lugar Litúrgico e , isto, implica na existência de um espaço de encontro.

Este Deus que Se encontra com a comunidade , Se faz presente no meio dela – no espaço congregacional. Espaço no qual a comunidade cultua a Deus e Ele Se revela no seio dela.

Esta comunidade que vê este Deus presente, falando, agindo e tocando pessoas através de pessoas em seu meio, tem a necessidade de ter um espaço de locomoção que seja generoso, significativo e flexível no qual as pessoas orem, abracem, escutem, confessem e toquem umas as outras em nome D’Ele. Os corredores longitudinais e transversais deverão oferecer mobilidade aos participantes do culto. Nada deverá embaraçar o deslocamento deste povo no exercício da mutualidade do corpo.

Esta mutualidade do corpo passou a existir a partir do momento do batismo, ao qual os cristãos em obediência a Cristo se submetem – isto acontece no espaço batismal. Através das águas purificadoras do batismo estas pessoas estão unidas num só corpo – o Corpo de Cristo.

Essas pessoas unidas em Cristo louvam ao Criador com a própria vida e com hinos e cânticos. A música tem uma importância fundamental na vida do povo de Deus (Ap.5.9,10) e “acrescenta uma dimensão mais profunda de envolvimento no culto” (White: P. 85). Esta expressividade ganha um espaço no Lugar Litúrgico, o espaço do coral. Coral que estará acrescentando uma dimensão de sentimento e beleza, mas que terá uma função muito prática – a de liderar o canto congregacional.

Todos estes espaços supracitados gravitam em redor do espaço da mesa do altar. Nele a comunidade é servida , quando participa da Eucaristia. Não deve haver ali barreiras (altura excessiva, brilho de luz em excesso, cercados ou aparência alguma forma de aparência de recinto sagrado) que inibam a aproximação da comunidade.

Além dos espaços litúrgicos, há os centros. Dependendo da comunidade, eles serão em número de 3 ou 4. Os centros litúrgicos “refletem maneiras como a comunidade percebe a presença de Cristo em seu culto (White: P.72)”.

A Fonte Batismal ou Piscina Batismal serve de recipiente paraa água utilizada no Batismo. O Batismo é uma ordenança do Cristo (Mc.16.15,16) , Senhor e Salvador da Igreja. Foi Ele que o instituiu como sinal visível de uma graça invisível. Através do Batismo as pessoas ingressam na Igreja. Diante desta fato, a localização da Fonte Batismal revestir-se-á de um significado coerente e precisa, sendo estabelecida à entrada do Lugar Litúrgico.

O Púlpito ou Ambão na opinião de White não é uma necessidade, mas uma conveniência. Entretanto, se a leitura e a pregação e da Palavra de Deus forem concebidas como formas de uma nova teofania cada vez que o pode de Deus se reúne, então se faz necessário de um testemunho físico dessa crença na forma de um púlpito (White: P.72). No púlpito a Palavra de Deus é proclamada e, o mesmo, deverá permitir que ela seja visualizada antes e depois de ser utilizada.

A mesa do altar estará no meio da comunidade para ser usada, servindo para se colocar o pão e o vinho da Eucaristia. Não deverá ser um monumento, nem objeto de símbolo religioso ou de arte. Deverá conservar o aspecto prático de sua presença na ministração da Ceia. É sobre o altar que também são colocadas as ofertas trazidas pela comunidade no exercício de sua diaconia para a Igreja, viúvas, órfãos e necessitados.

A cadeira episcopal é a cadeira de quem preside a assembléia. Deve ser discreta e não passar a idéia de trono, mas algo funcional.

White aconselha a “moderação e a discrição nestes espaços e centros, a que ele denomina de essenciais e os únicos que revelamo que é fundamental no culto cristão” (White:P.73).

Critérios de Relevância Prática

O professor White enumera alguns critérios relevantes para aqueles que constroem ou remodelam, são eles: utilidade, simplicidade,flexibilidade, intimidade e beleza (White: P. 81 e 82).

Utilidade – o Lugar Litúrgico deverá ser construído para ser usado e não simplesmente para ser admirado.

Simplicidade – a observação da devoção à simplicidade é responsável por boa parte do sucesso do espaço organizado objetivando-se a maior utilidade.

Flexibilidade – ao se construir não se deve amarrar o futuro (White: P.82). O tempo avança e mudanças consideráveis permeiam a vida da sociedade.

Intimidade – os prédios deverão oferecer intimidade e hospitalidade às pessoas e deverão inspirar a comunidade a vivenciar a ambas. Afinal de contas, esta é a Casa do Pai – a casa de todos os Seus filhos; todos deverão sentir-se abrigados e bem recebidos.

Beleza – a beleza do lugar referencia a beleza d’Aquele que é cultuado neste lugar. O belo não deverá está associado ao luxo, mas à simplicidade de uma estética funcional.

Além destes critérios precisamos observar alguns outros fatores fundamentais na dinâmica desse espaço.

A iluminação é um desse fatores. Ela poderá destacar e valorizar alguns aspectos dos espaços e centros, bem como facilitar a leitura da Palavra de Deus e favorecer as pessoas quando necessitarem se deslocar.

A acústica precisa ser observada carinhosamente, ela ajudará ou prejudicará a celebração. Poderá favorecer a participação da comunidade ou até incomodar e obstacular a participação de algumas pessoas na celebração.

A questão térmica é imprescindível, pois pessoas incomodadas com o calor ou frio terão dificuldades de agirem normalmente no culto.

O berçário para as mães amamentarem, trocarem as fraldas e colocar as suas crianças para dormir também faz parte de uma comunidade que não exclui a ninguém de participar da celebração da vida.

Essa comunidade precisa de dois espaços de sacristia, próximas ao espaço de celebração. Uma de serviço, onde são guardados os objetos utilizados na celebração e outra de preparação para a liturgia.

Esta comunidade includente trabalha bem com os acessos e acessórios para pessoas portadoras de necessidades especiais.

Visualiza bem a comunicação através de seus impressos, confeccionando-os com expressividade. Sabe fixar os seus cartazes em lugares adequados , discretos e visíveis na entrada; lugar em que as pessoas transitam em todas as celebrações.

Trabalha com a distribuição estética das cores nesse espaço adequadamente, utilizando as mesmas com funcionalidade.

A presença de áreas verdes é importante para estabelecer a conexão das pessoas ao Criador da natureza; a natureza inspira o louvor ao seu Criador.

Os recursos tecnológicos áudio-visuais são ferramentas importantes que instrumentalizam os serviços prestados no templo. Um gerador de caracteres é importante para que as pessoas com problemas auditivos possam ter acesso à pregação da Palavra de Deus no mesmo momento em que as pessoas que não possuem essa necessidade, estão ouvindo ao pregador.

As reuniões celebrativas podem ser gravadas em Cd, Dvd, somente o áudio ou áudio e imagem, para serem levadas às pessoas impossibilitadas de virem ao Lugar Litúrgico.

A torre e/ou sino são importantes quando cumprem com a finalidade de tornar o Lugar Litúrgico visíveis na localidade.

A estética na disposição dos espaços e centros, bem como de qualquer objeto no Lugar Litúrgico precisa ser observada, pois um “lugar cheio de coisas tende a esvaziar a alma humana. O vazio, pelo contrário, tende a se encher pelo espírito” (Machado: P.67).

Algo que não pode ser esquecido na construção ou remodelagem de um Lugar Litúrgico é que cada comunidade tem a sua própria realidade. Sendo assim, este lugar, só terá significado se for feito pela a comunidade e para ela (Machado: P.68).

Concluímos este capítulo com a citação de Machado: Construir representa uma decisão muito séria; construir a casa do Povo de Deus é mais sério ainda. É a existência de uma comunidade de irmãos que está comprometida. Construir é fazer a experiência da criação. É um novo começo, uma nova vida, a criação de um mundo novo. Um mundo de fraternidade e liberdade, de comunhão e de graça, de recolhimento e de silêncio, de antecipação de uma realidade sonhada.

Descrição da Igreja Evangélica X – Brasília – DF

A Igreja Evangélica X, na cidade de Brasília, Distrito Federal foi fundada em 21 de junho de 1981.

Durante 15 anos a comunidade teve como Lugar Litúrgico uma sala de 20 m2, no interior da casa pastoral. A falta de um lugar específico para reunir-se, provocou a ida de muitas pessoas para outros grupos evangélicos em todos os anos que esteve ali.

Depois de quatro anos numa jornada empreendedora em busca de um lote para construir o seu templo, recebeu o Termo de Ocupação outorgado pela Terracap, órgão do Governo do Distrito Federal que cuida das questões ligadas à ocupação de espaços urbanos.

No ano de 1995 , realizou na data da posse do lote, um Culto de Ação de Graças contando com a presença das autoridades envolvidas nesta vitória da conquista de um espaço para estabelecer-se em sua sede própria.

Neste mesmo ano cercou e construiu um prédio provisório de madeira, conforme modelo usado na localidade desde a construção da Capital Federal, como o próprio Palácio do Catete, conhecido como Catetinho, morada presidencial que abrigou o Presidente da República, Juscelino Kubitschek de Oliveira.

Neste barracão de madeira reuniu-se até o ano de 2000, passando a ocupar, provisoriamente, com um grupo bastante reduzido de pessoas, as dependências do templo definitivo que teve a sua construção iniciada em dezembro de 1998.

Várias etapas foram vencidas totalizando 80% da primeira etapa da construção.

Hoje, somos uma pequena comunidade composta de 15 pessoas. Constituída de 3 jovens, 05 adultos e 07 idosos. Simultaneamente, estamos construindo o Templo. Estas pessoas apresentam dificuldades para estarem juntas no Templo ou nas casas devido a questões particularizadas do quadro supracitado. Ora, os idosos, têm problemas com o deslocamento noturno; ora , os demais, têm dificuldades com o horário de trabalho ou de atividades acadêmicas.

Atualmente, temos um grande desafio o de construir dois prédios: um constituído de seres humanos e um outro, de tijolos para abrigar esta nova comunidade de fé.

Descrição Física do Prédio

Numa área de 800 metros quadrados, temos um prédio com 34 metros de comprimento e 12 metros de largura. O primeiro estágio é composto por dois pavimentos. Na parte térrea encontra-se o acesso rampado após uma área de chão coberta por brita. As rampas dão acesso a duas entradas de acesso. Temos duas áreas de dispersão uma maior antes das rampas e um outro menor no final das rampas. No andar térreo, encontra-se logo na entrada discretamente dispostos dois conjuntos de banheiros, um vestiário e banho, um banheiro para pessoas portadoras de necessidades especiais e dois conjuntos infantis de banheiros e bebedouros.

Após o espaço do atendimento das necessidades fisiológicas, temos um corredor que dá acesso para oito salas usadas para grupos pequenos, cada sala tem 20 metros quadrados. Elas foram projetadas com sistema interligado de áudio, vídeo , rede de internet e transmissão via satélite.

Ao final de 20 metros percorridos neste corredor , encontramos um salão multifuncional de 63 metros quadrados. De frente para este salão encontramos uma cozinha, um gabinete pastoral e a secretaria da Igreja. No salão há uma porta de acesso que dá para um corredor de 3 metros de largura por 38 metros de comprimento (outra área de dispersão) e fica próxima ao outro portão de acesso que fica voltado para a via secundária da localidade. Do outro lado do prédio há um corredor de 3 metros de largura por 48 de comprimento usado também para dispersão da comunidade e acesso a telefone e futuro elevador.

No pavimento superior do primeiro estágio , temos o lugar principal de celebração da comunidade que se encontra num salão de 25 metros de comprimento por 12 metros de largura, totalizando 300 metros quadrados. Ao fundo da nave temos uma sala para a preparação da liturgia e um banheiro. Ao lado direito, será o elevador e, no esquerdo, a escadaria de acesso e escoamento de pessoas.

Ao entrar neste salão pela frente que fica voltada para a via principal da localidade, após passar pelo Hall temos duas salas, uma de cada lado. Destina-se a da esquerda, para o berçário. A da direita, para a sala de som e guarda de objetos usados na liturgia. Na frente de uma das salas, encontra-se provisoriamente um mural para avisos.

Não há batistério construído ainda, no projeto ele se encontra perto do presbitério.

No presbitério temos um púlpito de madeira e três cadeiras. Logo na frente temos a mesa do altar em madeira e sobre ela um pequeno arranjo de flores artificiais.

Temos uma tela móvel provisória para projeção.

Usávamos os bancos antigos adquiridos no início da caminhada, mas recentemente adquirimos cadeiras.

No segundo estágio do prédio, sobre a parte final do templo voltada para a via secundária teremos dois pavimentos ; cada um com 108 metros quadrados . Destinar-se-á a 16 salas para atendimento psicológico, médico , odontológico e um complexo com biblioteca, laboratório de informática, centro de vivência e centro de formação profissional para atendimento na comunidade. O acesso deste complexo passa pela escadaria utilizada para ir ao templo.

Por cima das rampas, na entrada, há um ambiente que poderá ser usado para um apartamento que será a residencia do zelador.

Na frente haverá uma área verde com cascata e nos corredores laterais haverá jardineiras com muitas flores coloridas.

Nas laterais do prédio há esquadrias de 6 metros de comprimento por um de largura e, na frente, há esquadrias . A estrutura da torre já está construída e numa próxima etapa será concluída.