3. As Denominações do Século 21

, PhD

No apagar das luzes do século XX, estivemos (Reverendos Alberto Matos, Marcone Santana, Josué Cordeiro , José Remígio e Ruth Braga, Amaury e Ruth Jardim ) participando da 5ª Trienal da WECF – World Evangelical Congregational Fellowship, na Cidade do Cabo, Capital da África do Sul, no Hotel Atlântico Royal, com a presença de delegados dos cinco continentes, representados pelas seguintes nações : África do Sul, Austrália, Brasil, Canadá, Escócia, Estados Unidos, Índia, Inglaterra, Irlanda, Macedônia, Micronésia, Nova Zelândia e País de Gales.

Tivemos excelentes momentos de confraternização e reflexões disseminadas e não-disseminadas (teológicas, eclesiásticas , sociais, culturais, etc.). Entre as reflexões não-disseminadas (surgiram espontaneamente devido ao clima de acontecimentos a nível pessoal), algo que marcou a minha vida nestes dias foi o fato de como seriam as denominações evangélicas no século 21.

A WECF de alguma forma através do trabalho que tem desenvolvido tem se preocupado com a caminhada do Congregacionalismo no mundo. As atividades desenvolvidas pela WECF demonstram esta preocupação, tais como: 1) Confraternização entre as denominações congregacionais ao redor do mundo; 2) Intercâmbios (O Rev. Carlos Thonson passou um ano no Canadá para aperfeiçoamento acadêmico como fruto destes intercâmbios que têm acontecido; o Rev. Givanilson Barbosa (AIECB) realizou estudos de aperfeiçoamento da Língua Inglesa na Inglaterra, etc.); 3) Ajuda Espiritual e Financeira para a Macedônia; 4) Visitas de encorajamento (o Rev. Clifford Christensen foi palestrante no Concilio Nacional da AIECB e visitou várias de nossas Igrejas fazendo desafios missionários; eu e o Rev. Marcone Santana estivemos visitando Igrejas Congregacionais de Portugal e Inglaterra, etc.); 5) Permuta de Informações sobre eventos e acontecimentos que envolvem congregacionais em várias partes do mundo; 6) Apoio mútuo entre as denominações (A denominação australiana esteve em Recife doando livros para a Biblioteca e Construindo a arquibancada no Seminário Teológico Congregacional do Nordeste); 7) Fomento e transferência de conhecimento ; 8) Reflexões Teológicas; 9) Conferências Mundiais, etc.

Entre os pensamentos que se originaram a partir do clima da 5ª Trienal, sobre as denominações do século 21 , destaco os seguintes:

1. Ser uma comunidade plenamente engajada na criação de novos caminhos e crescimento das igrejas locais (o “congregacionalismo” em forma de reduto castelar (Lutero no castelo) onde impera a vontade luisiana (O Estado sou eu) está morto ao redor do mundo e não encontrará meios para ressuscitar) para a expansão do Reino de Deus na face da terra;

2. Ser uma comunidade que dará grande atenção para a formação integral dos seus obreiros, para tanto investirá nos professores, pois bons professores geram boa formação para os obreiros; bons obreiros irão gerar boas igrejas. Precisaremos ter professores que estejam integrados às Igrejas, associados aos acontecimentos atuais, que ministrem com a própria vida e sejam referenciais para a formação de novos obreiros. Os novos obreiros para o novo século serão polivalentes não para fazer, mas para gerar “leigos” (utilizo esta expressão por força de expressão, mas não por concordar) capacitados que realizem a Obra de Deus como convém aos santos (Vide Nota 1);

3. Ser uma comunidade de ajuda mútua a fim de que todas as Igrejas cooperem entre si, de maneira que todas sejam fortalecidas (umas por estenderem às mãos em socorro, outras por terem sido socorridas e agora missiologicamente saem para socorrer outras, segundo a sua própria força). É chegada a hora do basta para comunidades egocêntricas e parasitas (a igreja que vive para si não faz “explodir” o evangelho no coração das pessoas para o crescimento do Reino de Deus, antes ela “implode” o evangelho, as pessoas e o crescimento do Reino de Deus);

4. Ser um lugar de aprendizagem múltipla através do exercício das virtudes cristãs que promovem o clima ideal para incubação de uma nova mentalidade e sociabilidade que gere “corpo” ;

5. Ser um local em que questões e soluções relevantes em nível local, regional, nacional e internacional sejam identificadas , debatidas e dirigidas em um espírito de crítica construtiva, encorajando a participação ativa das pessoas nos debates sobre o progresso do crescimento das igrejas, congregacionalismo e Reino de Deus;

6. Ser um lugar em que as pessoas possam obter informações e orientações seguras para a solução dos conflitos vivenciados por elas em decorrência do pecado;

7. Ser uma comunidade, cujos membros plenamente comprometidos com os princípios do Evangelho se engajem na busca da verdade e na expansão do Reino de Deus , teocrática (o indivíduo é um ser pensante e por isto ele faz opção pelo governo da vontade divina), social (equivalência, como cidadãos do Reino) e biblicamente (comprometidos com os ensinos da Bíblia e não com uma hermenêutica pessoal e de interesses particulares), participando do processo de fazer diferença em seu próprio “habitat” e no “mundo” e destacando a cidadania celestial e anunciando a virtude d’Aquele que opera a sua salvação na Igreja;

8. Ser uma comunidade em constante processo da realização da Obra Missionária (as igrejas não deverão ter um programa missionário, mas serem igrejas missionárias);

9. Ser uma comunidade que manifeste ao mundo entorpecido com a sua fedentina maligna, o Bom Perfume de Cristo;

10. Finalmente, ser uma comunidade que realmente “busque em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua Justiça…” na certeza de que as demais coisas são necessárias, mas não essenciais para a nossa sobrevivência como filhos de Deus.

Estes princípios estão sendo tratados por Deus na mente dos seus filhos (distribuídos pelo mundo inteiro), mesmo que em diferentes níveis de compreensão, creio, que para gerar o Seu Propósito Eterno em nossos dias na ante-sala do próximo século. Isto não é sem razão, então coloquemos o pé na estrada e percorramos esta proposta divina e de vida para nós.

Nota 

1. Jorge Werthein, 57 anos, sociólogo, argentino, Doutor em Educação pela Universidade de Stanford (EUA) , é representante da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) no Brasil e Coordenador do Programa Unesco/Mercosul, defende esta idéia no processo de que a educação é o pilar fundamental de direitos humanos e democracia, do desenvolvimento sustentável e da paz.